
Um filme brasileiro que está fazendo grande sucesso de público é “Tropa de Elite”, uma história a respeito da violência do Rio de Janeiro, contada por um policial do Batalhão de Operações Especiais da Policia Militar, o BOPE. A intelectualidade esquerdista, chorosa pelos bandidos, detestou o filme, pois o achou fascista. Vejam a palhaçada: os filhotes de Stalin e Fidel Castro acham o BOPE fascista. É piada? Raro é o cinema brasileiro chamar a atenção do público. Porém, qual o segredo da popularidade de "Tropa de Elite"? É simples: os bandidos são retratados como bandidos, os universitários maconheiros que pedem paz nas ruas são cúmplices da violência e a lógica dos direitos humanos, de apologia ao banditismo, é ridicularizada. E o mais interessante: a visão de um policial honesto, embora truculento, do BOPE, consegue ser a mais autêntica expressão da realidade, se comparada à legião de sociólogos, filósofos e acadêmicos que produzem toneladas de papel inútil para falar daquilo que não entendem e com o qual nunca conviveram.
O filme não dá uma opinião formada sobre o assunto e nem cria estereótipos sobre a polícia. Apenas mostra os fatos e os coloca numa dinâmica em que os personagens decentes se encontram encurralados em meio ao caos, à violência e à corrupção. O Capitão Nascimento é a própria contradição da polícia: um homem honesto num estado de guerra de todos contra todos. Por mais odiosos que sejam a tortura, o abuso de poder ou mesmo a violência ilegal contra bandidos, a polícia, naquele caso, segue a lógica do crime que combate: os bandidos também são violentos, arbitrários, tirânicos, frios e torturadores. Por mais errada que nos pareça a ação do capitão, a população aprova seus atos arbitrários porque os bandidos também são assim e porque as leis e as instituições brasileiras estão falidas e não conseguem cumprir o seu dever de punir o crime. E quando uma sociedade está desamparada, o que lhe resta é usar e abusar do exercício arbitrário das suas próprias razões, ou seja, uma espécie de auto-policiamento. É a vingança popular contra a impotência. Na verdade, os próprios policiais são desamparados: o Capitão Nascimento é um cidadão à beira de um ataque de nervos. O povo carioca gostou tanto do filme porque os bandidos são mostrados como bandidos. A polícia não os alisa. Ela os mata, os espanca, os tortura, enfim, tudo aquilo que os bandidos fazem com a população de bem. Na ausência de leis formais, serve a Lei de Talião.
Há um outro aspecto do filme: a sátira dos movimentos sociais e das ONGs que divinizam os bandidos. A aula sobre Michel Foucault, em que uma classe universitária delinqüente e maconheira encontra razões para criminalizar a ação correta da polícia de combater o crime, é uma paródia da cumplicidade que essa classe possui com a bandidagem. Que as universidades são, muitas vezes, verdadeiras fábricas de delinqüência, isso está arqui-provado ao longo da história. As ideologias mais assassinas do século XX nasceram nesses redutos. A romantização da criminalidade também. Se o Rio de Janeiro e inúmeras outras cidades brasileiras estão dominadas pela bandidagem, isso se deve, em parte, aos movimentos sociais e às organizações de direitos humanos, que transformaram o criminoso numa vítima da sociedade. Essa é a lógica que predomina nos meios acadêmicos: o policial é um opressor de classe, um lacaio de um sistema perverso, enquanto que o bandido é um justiceiro social, um indivíduo que clama contra as mazelas da desigualdade e a indiferença das elites. Na prática, contudo, o pior absurdo da elite acadêmica é a sua crença cega de que os pobres e honestos cidadãos de bem das favelas gostam de bandidos. Isso é uma negação total da realidade, racionalizada numa espécie de ódio às pessoas de bem. Conseqüentemente, deve-se concluir que os próprios acadêmicos defensores dessas idéias também são delinqüentes. Ora é um drogado, ora é alguém que se sente rejeitado pelo próprio grupo social ao qual pertence.
Uma cena do filme mostra o quão ridículos e caricatos são os movimentos sociais, notadamente as organizações de direitos humanos: Maria, uma militante de uma ONG da favela e namorada de Matias, um policial honesto, fala mal da polícia, perguntando-se porque ela não reprime os marginais de classe média, e fica furiosa quando descobre que seu namorado é policial e, ainda por cima, do BOPE. Ela mesma financia a criminalidade, pois é usuária de drogas. No entanto, o traficante da favela, Baiano, divinizado pelos voluntários da ONG, seqüestra um casal de amigos da moça, e ela, desesperada, vai pedir ajuda ao namorado. A cena é até cômica: antes, o traficante Baiano tinha “consciência social”, era o justiceiro da sociedade; agora que o algoz se voltou contra seus “opressores”, a moça se vê numa encruzilhada, e pede socorro ao “sistema opressor perverso”, personalizado pelo policial Matias. Mas aí, já é tarde demais. O casal de amigos da moça é barbaramente executado.
Uma outra cena elucida esse alto grau de alienação de uma parte da sociedade considerada “letrada”: após a morte do casal de ativistas, os alunos da universidade fazem uma passeata pedindo "paz". O paradoxo é bem claro: aqueles que pedem paz são os mesmos que financiam a violência consumindo drogas. O honesto e severo policial Matias, que sabe perfeitamente o que é certo e o que é errado, algo bem diferente de seus colegas universitários, espanca um dos manifestantes, que é narcotraficante, por ter denunciado o seu amigo policial ao traficante que matou o casal de ativistas. E depois, Matias ainda chama todo mundo de “maconheiros filhos-da-puta”, “burgueses safados”. Alguns conservadores radicais viriam nisso uma espécie de condenação da classe média. Todavia, a grande maioria da classe média honesta se identificou com o policial indignado, pois, afinal de contas, a classe média honesta também não gosta de bandido, mesmo que ele seja “burguês”. Além disso, o policial Matias está longe de crer na ideologia da luta de classes, uma vez que as únicas classes que ele conhece, e que são antagônicas, são o cidadão honesto e o bandido.
Muitos ainda repetem a cantilena de que são as desigualdades sociais e a miséria que causam a violência. Os próprios atores, pressionados pela esquerda, dentre eles Wagner Moura, que interpreta o Capitão Nascimento, repetiram esse mantra politicamente correto. Todo esse policiamento ideológico literalmente proibiu o filme de concorrer a vários prêmios. Pouparei Wagner Moura das minhas críticas, pois ele está impecável no filme. Falarei, isto sim, dessa ladainha comum dos críticos. Se há alguém que mais sofre com a desigualdade social e de direitos nesse país, esse alguém é o cidadão honesto, pois é ele que está sendo assaltado nas ruas, violentado, assassinado. Ele não tem o amparo de ONGs, comissões de direitos humanos, subsídios estatais e nem segurança pública. E quando o povo honesto se manifesta nas ruas em protestos contra a violência, a esquerda logo trata de calar a boca desse povo. A bem da verdade, a esquerda quer porque quer que os cidadãos de bem sofram e morram quietos, pois estes, segundo aquela, reproduzem a ideologia do sistema, dentro do imaginário da luta de classes. Não foi isso que aconteceu com o casal de namorados Liana Friedenbach e Felipe Caffé? Não foi isso que aconteceu com o garoto João Hélio, de apenas 6 anos de idade? Não é isso que acontece com tantos outros cidadãos inocentes covardemente assassinos por bandidos? E o que fizeram as comissões de direitos humanos e os movimentos de esquerda? Quiseram silenciar suas famílias através da chantagem emocional e da intimidação. Marilene Felinto, dublê de escritora e jornalista da caricata revista Caros Amigos, disse que a verdadeira vítima da sociedade era o estuprador e matador de Liana Friedenbach. Segundo Marilene, o pecado dessa menina era ser judia, rica e bonita. A banda limpa da polícia também é humilhada, pois nunca há, de fato, apoio algum às famílias dos policiais honestos que são assassinados De acordo com o imaginário esquerdista, os policiais são "agentes do sistema opressor", enquanto que os verdadeiros libertários são os estupradores, os ladrões, os matadores etc.
Quem conhece o pensamento do pobre honesto sabe que ele aprova essa forma de violência contra bandidos, os odeia e deseja, ainda que calado, que a polícia tome providências drásticas e pacifique os subúrbios e as favelas através da força. É um lugar-comum. Da empregada doméstica ao balconista de loja, do operário ao faxineiro e, assim como das demais classes pobres, a seguinte sentença, quase unânime: ladrões, bandidos, estupradores e assassinos devem morrer. As opiniões de muitas dessas pessoas do povo fariam o próprio Cesare Beccaria se revirar do túmulo. As propostas são as mais sanguinárias possíveis: execuções em praça pública, decapitações, espancamentos, linchamentos, fogueiras etc. A grande maioria do público comemorou quando o Capitão Nascimento mandou o praça Matias explodir a cabeça do traficante Baiano com um tiro de escopeta, para estragar o velório, desfigurando o rosto do marginal. O interessante é que esse sentimento de honestidade genuína existe em todas as classes sociais. Até eu fiquei feliz com a morte do vagabundo Baiano.
Alguém poderá me perguntar se eu sou a favor da tortura e dos métodos policiais arbitrários. A resposta é não. Eu mesmo não consigo gostar da polícia brasileira, apesar de defender suas ações corretas. Já presenciei coisas tão absurdas por parte dela que guardo um profundo ceticismo quanto a essa instituição. Tampouco aprovo os métodos de violência ilegal. Na verdade, eu gosto da ordem e da legalidade. Por mais que me cause indiferença ou mesmo agrade a morte de um bandido, a tortura e a violência ilimitadas da polícia possuem um vício fatal: o abuso de poder que não se deve permitir ao Estado e nem aos seus agentes. Se um policial se acha no direito de torturar e matar bandidos, ele pode fazer isso com qualquer pessoa. O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente. É tudo uma questão de ter autoridade e usar a farda. É claro que seria ingênuo e estúpido afirmar que a polícia não pode usar de violência. Aliás, não só pode como deve, mas sempre dentro da lei.
As limitações legais que existem ao poder de polícia e de coerção estatal servem para proteger o cidadão comum da arbitrariedade. Jamais pensamos que o mesmo poder de violência sem limites que é usado contra bandidos pode ser usado contra nós, cidadãos comuns indefesos. Daí vêm as minhas reservas, quanto a essa mentalidade vingativa de muitos, a respeito de execuções sumárias e torturas contra bandidos, até porque esses métodos, além de irracionais, são ineficazes, pois criam novas mazelas ao invés de combatê-las.
Tampouco isso me aproxima dos movimentos de direitos humanos. O que essa turma dos direitos humanos não quer enxergar é que não é só a polícia que viola direitos. Os bandidos são muito piores. Uma vez que esses ativistas são apaixonados pela idéia romântica, estúpida e mesquinha de que o criminoso é vítima da sociedade, eles ignoram os direitos das vítimas e até mesmo dos policiais assassinados. O caso de um bandido torturado, por mais que mereça garantias jurídicas, é um mal menor quando comparado ao caso de uma mulher violada ou de um policial honesto assassinado, pois enquanto os dois últimos são pessoas inocentes, o primeiro assume (ou, pelo menos, deveria assumir) os riscos pela violência que provoca. Esta é, pois, uma distinção óbvia que os supostos defensores da dignidade humana jamais fazem.
Defender os direitos da sociedade não é defender o bandido. É saber puni-lo dentro da lei. É saber exigir leis e penas rigorosas quando eles violam os direitos da população. O grande problema é que os movimentos sociais são como a personagem Maria, a ongueira maconheira do filme: para eles, a polícia é uma "força perversa de repressão social", mas quando eles precisam dela, só faltam implorar pela sua atuação. E depois, ainda pedem "paz" nas ruas, com muita droga na cabeça.
Preciso falar mais sobre os segredos de "Tropa de Elite"?
Leonardo Bruno - www.cavaleiroconde.blogspot.com
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